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O discurso bolsonarista à luz da Análise de Discurso e da Psicanálise. Ou o porquê de não votar no bolsonarismo
Artigo do professor Sergio Freire
Por Administrador
Publicado em 15/10/2026 17:13
Colunas

1 UMA CURVA PARA LER GENERALIZAÇÕES

Todo enunciado público propõe um sentido que opera como generalização. Quando alguém afirma, por exemplo, que o ciúme do homem é sexual e o da mulher é afetivo, a frase fixa um sentido médio, que vale para muita gente e deixa de valer para outra parte. Quem lê responde a essa generalização de lugares diferentes. Uns concordam em parte, outros concordam muito, outros discordam levemente e há quem discorde por inteiro. Todas essas respostas são legítimas e nenhuma delas ocupa o mesmo lugar que as demais.

A curva de Gauss oferece um modelo didático para representar essa variação. No centro, no ponto zero, está o sentido proposto pela generalização. A metade direita da curva reúne quem concorda e a metade esquerda quem discorda, e em ambas há um gradiente. Em cada lado, cerca de 34,1% das pessoas ocupam a faixa mais próxima do centro, onde a concordância ou a discordância é leve. Cerca de 13,6% ocupam a faixa seguinte, de posição mais marcada, e cerca de 2,1% ocupam a faixa posterior, de posição ainda mais acentuada. O resíduo forma as pontas, onde estão a concordância e a discordância totais. Quanto mais se afasta do centro, mais excepcional é a posição. A soma das duas faixas centrais, 68,2%, reúne a maioria das posições de leitura em torno do sentido proposto, e as pontas existem justamente porque se trata de uma generalização.

Ok. Vamos deixar esse modelo em suspenso por ora. Ele será retomado na conclusão para pensar o que acontece com os graus de adesão a um discurso.

Antes disso, é preciso descrever o discurso bolsonarista. Este texto o analisa a partir da análise de discurso materialista e da psicanálise, em dois níveis. O primeiro é o da constituição, da formulação e da circulação do discurso, que o caracteriza. O segundo é o ideológico-inconsciente, que busca responder por que sujeitos aderem a ele.

2 CONSTITUIÇÃO: DISCURSO POLÊMICO E DISCURSO AUTORITÁRIO

Na arena eleitoral brasileira circulam hoje, grosso modo, quatro discursos: o da esquerda, o de centro, o de direita e o bolsonarismo. À primeira vista, trata-se de quatro posições num mesmo espectro. A análise de discurso materialista permite mostrar que os três primeiros diferem do quarto quanto ao tipo de discurso. Essa é a primeira diferença: no nível da constituição.

Minha orientadora de doutorado, Eni Orlandi (1983), distingue três tipos de discurso conforme o modo como lidam com a polissemia, isto é, com a pluralidade de sentidos possíveis. O discurso lúdico é o da mesa de bar, em que os sentidos circulam livremente e ninguém disputa a verdade. O discurso polêmico sustenta suas verdades, mas admite negociar sentidos com discursos contrários. O discurso autoritário toma seus sentidos como verdades incontestáveis e recusa a negociação, como se vê nos discursos militar e religioso, por exemplo. Para a igreja, não se negocia um dogma.

Esquerda, centro e direita funcionam como discursos polêmicos, como convém a espectros políticos que disputam o poder pelo voto dentro de um estado democrático de direito. Mas o bolsonarismo funciona como discurso autoritário e, por isso, apresenta certas semelhanças de funcionamento com o militarismo, as milícias e as seitas religiosas. As bordas dos discursos polêmicos são permeáveis e incluem o diferente a partir de certos parâmetros. As bordas do bolsonarismo são impermeáveis e excluem tudo o que não pertence às suas crenças.

3 FORMULAÇÃO E CIRCULAÇÃO

3.1 Do adversário ao inimigo

Enquanto os discursos polêmicos produzem adversários, isto é, interlocutores que divergem sobre o papel do Estado, do mercado, da meritocracia ou das cotas, por exemplo, o bolsonarismo produz inimigos, um inimigo interno discursivamente construído. Termos como “comunistas” e “esquerdistas” designam, em determinadas formulações, sujeitos que deixam de ser tratados como participantes legítimos do debate político. A definição do sujeito coletivo depende da constituição discursiva de seu antagonista, que pode ser um adversário (nos discursos políticos polêmicos) com quem se dialoga para superar diferenças ou um inimigo a ser eliminado, inclusive fisicamente (no bolsonarismo).

Nos discursos polêmicos, a ideia é superar os argumentos do adversário. No bolsonarismo, a ideia é suprimir o adversário. A retórica da violência e da desumanização do inimigo acompanha essa construção. A declaração de 2018 sobre “fuzilar a petralhada”, feita por Jair Bolsonaro em contexto de campanha eleitoral, ilustra esse funcionamento.

Os símbolos nacionais cumprem papel decisivo nessa demarcação. A bandeira, as cores verde e amarela e o hino foram apropriados e passaram a funcionar como distintivos de quem está dentro e de quem está fora. Produz-se o efeito de sentido de que apoiar o bolsonarismo equivale a defender a pátria. Quem não apoia torna-se inimigo.

3.2 Personalização da autoridade e ataque às instituições

Nos discursos políticos polêmicos, a liderança é um lugar rotativo, em que novas lideranças podem surgir de tempos em tempos. No bolsonarismo, a autoridade política é personalizada e a legitimidade do líder pode ser apresentada como superior à das instituições. Daí o ataque verbal reiterado ao Supremo Tribunal Federal, ao sistema eleitoral, à Polícia Federal e a integrantes do Congresso Nacional, sempre que representam uma ameaça ao líder e à família Bolsonaro. A aproximação discursiva resultante é a de que as instituições são impedimentos à realização da vontade popular, o que opõe a legitimidade institucional a uma suposta legitimidade direta do líder. Os discursos polêmicos, por sua vez, não deslegitimam as instituições democráticas, embora legitimamente trabalhem no seu aperfeiçoamento.

3.3 Moralismo e anticomunismo

O bolsonarismo exibe um moralismo que idealiza a ordem social. A defesa da família tradicional (bem…), a oposição a políticas de gênero e sexualidade e a mobilização de valores religiosos conservadores ganharam grande visibilidade. Representa-se uma ordem moral considerada legítima e ameaçada por transformações culturais. Por isso a cultura e a arte aparecem como ameaças.

O combate ao comunismo tornou-se elemento recorrente da retórica, mesmo em contextos nos quais não há ameaça concreta de implantação de um regime comunista, como sabemos. Trata-se de uma verdade construída, que integra o imaginário paranoide do sujeito do discurso bolsonarista e que se sustenta na circularidade desse discurso.

3.4 A verdade exclusiva

Como discurso autoritário, o bolsonarismo constrói uma verdade política exclusiva. A desconfiança em relação à imprensa tradicional, a acusação recorrente de manipulação jornalística e a circulação de conteúdos falsos ou enganosos nas redes de apoio compõem o ambiente comunicacional do grupo. No plano interno, as fake news funcionam como verdades. As informações favoráveis confirmam a narrativa e as contrárias são lidas como evidência da atuação dos inimigos. A verdade fica, assim, protegida contra qualquer refutação.

3.5 Decadência e regeneração

O discurso se organiza ainda numa narrativa em três movimentos. O primeiro é um passado idealizado, no qual a nação possuiria determinados valores. O segundo é um presente de decadência, atribuído à ação de inimigos políticos e culturais, com a corrupção, a degradação moral e a ameaça comunista como figuras recorrentes. O terceiro é um futuro de regeneração, associado à vitória do líder e de seu movimento.

Essa estrutura aproxima-se do que Griffin (1991) denomina ultranacionalismo palingenético, conceito que busca compreender o mito do renascimento nacional no fascismo. Os discursos de esquerda, de centro e de direita são discursos políticos polêmicos, enquanto o bolsonarismo, por seu funcionamento autoritário, sua construção do inimigo, a personalização do líder e a narrativa de regeneração, aproxima-se, queiram ou não, de um discurso neofascista, embora haja esperneios quando usamos o rótulo.

4 POR QUE AS PESSOAS ADEREM: O NÍVEL IDEOLÓGICO-INCONSCIENTE

A descrição da constituição, da formulação e da circulação do discurso bolsonarista responde a uma pergunta sobre como ele funciona. Resta a pergunta sobre o que ele faz pelos sujeitos que o sustentam. Para respondê-la, a análise de discurso materialista precisa da psicanálise e foi Michel Pêcheux quem deixou a porta aberta ao afirmar que o sujeito é efeito de duas ilusões simultâneas, a ideológica e a inconsciente.

4.1 A interpelação e os esquecimentos

Para Pêcheux (1988), toda ideologia interpela indivíduos em sujeitos e o faz por meio de evidências: o sujeito reconhece como naturais os sentidos que lhe chegam e se vê como origem deles. Esse funcionamento se apoia em dois esquecimentos. No esquecimento número 2, de ordem pré-consciente, o sujeito crê que escolheu dizer o que disse da maneira como disse, sem perceber as famílias parafrásticas que o discurso lhe impõe. No esquecimento número 1, de ordem inconsciente, o sujeito crê ser a fonte do sentido, ignorando que o sentido o precede e o atravessa.

O discurso autoritário explora esse mecanismo ao limite. Como não admite polissemia, ele oferece ao sujeito uma posição já pronta, com os sentidos já decididos e a dúvida já excluída. Aderir significa ocupar essa posição e receber, em troca, a sensação de pensar por conta própria. O sujeito bolsonarista vê como convicção pessoal aquilo que o discurso lhe fornece como evidência e que a ideologia apaga. Isso ajuda a explicar por que argumentos e dados raramente produzem deslocamento, já que se dirigem a um sujeito que acredita ter chegado sozinho à sua verdade. Notícias e evidências da ligação de Flávio Bolsonaro com rachadinhas, Vorcaro, lavagem de dinheiro ou milícia em nada afetam um sujeito que já cristalizou uma verdade.

4.2 A identificação com o líder

A psicanálise acrescenta o que a teoria da interpelação sozinha deixa em suspenso, a dimensão libidinal da adesão. Em Psicologia das massas e análise do eu, Freud (2011) sustenta que a massa se mantém por laços afetivos duplos. Cada membro se liga ao líder e, por meio dessa ligação comum, se identifica com os demais. O líder ocupa o lugar do ideal do eu, de modo que o sujeito deposita nele o que gostaria de ser e abdica, em seu favor, do próprio juízo crítico.

Essa construção ilumina a personalização da autoridade descrita na seção 3.2. Quando a legitimidade do líder se sobrepõe à das instituições, o que se observa é um deslocamento da lei simbólica, impessoal e compartilhada, para uma figura singular, investida de amor. Ataques ao líder passam a ser sentidos como ataques ao próprio eu. A crítica externa é vivida como ferida narcísica. Adorno (2015) já havia notado, ao analisar a propaganda fascista com categorias freudianas, que o líder funciona como imagem ampliada do próprio sujeito, o que permite a ele amar a si mesmo por intermédio de outro.

4.3 O inimigo como destino da agressividade

A figura do inimigo interno cumpre uma função econômica no psiquismo coletivo. Em O mal-estar na civilização, Freud (2010) observa que é sempre possível ligar uns aos outros pelo amor desde que reste alguém para receber a agressividade e chama de narcisismo das pequenas diferenças esse investimento em quem está próximo e, por isso mesmo, ameaça a coesão da identidade. O “comunista”, o “esquerdista” e o “petralha” operam como esse destinatário. Eles concentram o que o grupo recusa em si e viabilizam a coesão interna.

O mecanismo da projeção, que Freud (1996) descreve a propósito da paranoia no caso Schreber, completa o quadro. O que o sujeito não suporta reconhecer em si, como a própria agressividade, o desejo de dominação e o ressentimento, é atribuído ao outro, que passa a ser percebido como perseguidor. O imaginário paranoide mencionado na seção 3.3 encontra aí sua base, pois o inimigo aparece como ameaça onipresente porque carrega o que foi expulso do eu.

4.4 A promessa e a satisfação

Resta o terceiro movimento da narrativa, a regeneração nacional. A promessa de um passado restaurado oferece ao sujeito um objeto de nostalgia que nunca existiu e a ausência de um objeto real é o que o torna inesgotável. Do ponto de vista lacaniano, esse funcionamento aproxima-se da economia do gozo. O discurso autoritário oferece uma satisfação imediata na própria prática de odiar, de pertencer e de ter razão. Promete que a falta constitutiva do sujeito será suprida pela vitória futura do movimento. A adesão se sustenta menos pelas ideias que o discurso afirma do que pela satisfação que sua circulação proporciona.

4.5 Síntese

O sujeito adere ao discurso bolsonarista porque ele lhe fornece, ao mesmo tempo, quatro coisas: uma posição de sujeito sem dúvida (nível ideológico), um líder a amar e a quem ceder o juízo (identificação), um inimigo para quem desviar a agressividade (projeção) e uma promessa que organiza o desejo (gozo). Por isso o discurso resiste à refutação. As razões que o contestam dirigem-se ao plano das ideias e a adesão se faz em outro plano, o do investimento inconsciente.

5 RESSALVA METODOLÓGICA

A psicanálise é mobilizada neste texto para explicar o funcionamento da adesão como mecanismo. Ela não autoriza diagnóstico de indivíduos nem de eleitores. Os conceitos de identificação, projeção e gozo descrevem operações disponíveis a qualquer sujeito sob determinadas condições discursivas e a análise incide sobre o discurso e sobre posições de sujeito e não sobre pessoas singulares, cujas histórias e cujos motivos de apoio variam. Tratar a adesão como patologia equivaleria a retirar dela seu caráter histórico e político, que é justamente o que a análise de discurso materialista procura preservar.

6 CONCLUSÃO: OS GRAUS DENTRO DOS DISCURSOS

Retomemos a curva de Gauss, que deixei em suspenso no início do texto. Ela serve para pensar o que muda quando o discurso em questão é polêmico e quando é autoritário.

Nos discursos políticos polêmicos, o modelo funciona em sua forma plena. Uma posição de esquerda, de centro ou de direita propõe sentidos que operam como generalização e a comunidade que os lê se distribui em graus. Há quem concorde pouco, muito ou totalmente, e quem discorde pouco, muito ou totalmente. As posições mais distantes do centro são tratadas como exceções e a permeabilidade das bordas permite que os sujeitos circulem entre as faixas, negociem sentidos e mudem de lugar. Graus de concordância e de discordância fazem parte do funcionamento normal desses discursos.

O discurso autoritário reage de outro modo à mesma distribuição. Ao tomar seus sentidos como verdades incontestáveis, ele tende a comprimir os graus em dois polos, dentro e fora e a tomar a ponta da adesão total como medida de pertencimento. A faixa de quem concorda em parte, o centro da curva, torna-se suspeita e é pressionada a se deslocar para a direita. A faixa de quem discorda deixa de ser lida como discordância legítima e passa a ser lida como inimizade. A curva continua existindo entre os sujeitos reais, mas o discurso a trata como se não existisse.

Essa observação tem uma consequência analítica importante. Os sujeitos que sustentam o discurso bolsonarista não ocupam a mesma posição na curva. Há bolsonaristas e bolsonaristas. Há quem esteja na ponta da adesão total, plenamente interpelado, em quem operam com intensidade os quatro mecanismos descritos na seção 4: a posição sem dúvida, a identificação com o líder, a projeção sobre o inimigo e a promessa de gozo. Há quem esteja nas faixas intermediárias, aderindo a partes do discurso por razões como o antipetismo, valores religiosos, interesses econômicos ou a insatisfação com a política tradicional, sem reproduzir o conjunto de suas formulações. A distinção importa porque as bordas do discurso são impermeáveis em sua formulação, ao passo que os sujeitos situados nas faixas intermediárias apresentam, é razoável supor, maior abertura ao deslocamento. Pêcheux (1988) denomina contraidentificação e desidentificação as modalidades em que o sujeito toma distância da forma-sujeito à qual se filiava e é nessa região da curva que tais movimentos tendem a encontrar condições de ocorrer. Há os bolsonaristas impermeáveis, que são inconvencíveis, e há os bolsonaristas visitantes, muitos de direita e de centro que se abrigam no bolsonarismo por suas insatisfações de várias ordens com o outro lado. São esses bolsonaristas de passagem que devem ser os sujeitos-alvo das ações vira-voto. Os outros, sem chance. São votos perdidos.

O princípio que orienta a leitura de uma generalização, o de que concordância e discordância têm graus e de que a verdade de um leitor não é a verdade de todos, vale, portanto, também para a análise do bolsonarismo. Num discurso polêmico, reconhecer graus é condição do debate. Diante do discurso autoritário, reconhecer graus é condição da análise, pois sem ela todos os que o sustentam seriam tratados como ocupantes da ponta da curva e se perderiam de vista os sujeitos de adesão parcial, por onde o discurso pode ser interrogado. Cabe registrar, por fim, que o modelo de Gauss é um recurso didático. As proporções que ele apresenta ilustram uma distribuição e não medem a adesão ao bolsonarismo, tarefa que exigiria pesquisa empírica própria, que vai muito além do escopo deste breve ensaio.

Dito tudo isso, um posicionamento político. Quem defende a democracia e o estado democrático de direito precisa defender o legítimo funcionamento dos discursos polêmicos na política, seja o discurso da esquerda, do centro ou da direita. E deve se engajar na rejeição de qualquer discurso autoritário, como o discurso do bolsonarismo. Por tudo isso, no dia 25 de outubro, eu votarei 13. E espero que quem se identifique com o centro ou a direita política também defenda a política da pólis, da cidadania, da divergência a ser superada e não suprimida. Já vivemos a supressão da divergência política na ditadura militar e isso nos custou muito caro como nação. Nossa responsabilidade é não deixar isso se repetir.

Vamos virar.

REFERÊNCIAS

ADORNO, Theodor W. A teoria freudiana e o padrão da propaganda fascista. In: ADORNO, Theodor W. Ensaios sobre psicologia social e psicanálise. São Paulo: Editora Unesp, 2015.

FREUD, Sigmund. Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia (Dementia paranoides). In: FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 12.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu e outros textos (1920-1923). São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

GRIFFIN, Roger. The nature of fascism. London: Pinter, 1991.

ORLANDI, Eni Puccinelli. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. São Paulo: Brasiliense, 1983.

PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas: Editora da Unicamp, 1988.

A IA Claude Sonnet 5.5. foi utilizada neste texto na revisão ortográfica, gramatical e de estilo, bem como para a geração das imagens que o ilustram.

 

Sérgio Augusto Freire de Souza
Doutor em Linguística (UNICAMP)
Psicólogo CRP 20/09739
Professor da Faculdade de Letras
Universidade Federal do Amazonas

 

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