A menos de uma semana da eleição de 4 de outubro, o desenho da próxima legislatura da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) começa a ganhar contornos. Na maior parte dos partidos, a lógica tradicional se repete: candidatos com mandato largam na frente, sustentados por estrutura de gabinete, emendas e base consolidada. No Republicanos, porém, o cenário foge ao padrão.
Na análise do sociólogo Luiz Carlos Marques, formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e ex-vereador de Manaus, a legenda vive uma situação rara. Três candidatos com mandato, os deputados estaduais João Luiz e Dan Câmara e o vereador de Manaus Rodrigo Guedes, disputam espaço com um nome sem cargo eletivo que aparece entre os favoritos: o advogado Marcelo Amil.
"Não é comum ver um nome sem cargo competindo de igual para igual com parlamentares em exercício, seja na Assembleia, seja na Câmara Municipal. Quando isso acontece, geralmente é sinal de um voto de opinião se formando, que não depende da máquina", avalia Marques.
Os favoritos à Assembleia
Para o sociólogo, a disputa pelas 24 cadeiras da Aleam deve confirmar a força dos nomes com mandato na maioria das legendas.
"O eleitor do Amazonas ainda valoriza muito a presença física do deputado no município, a obra, a emenda. Isso explica por que a taxa de reeleição costuma ser alta", explica.
O caso Republicanos
É justamente esse contexto que torna o quadro do Republicanos singular. João Luiz e Dan Câmara buscam a reeleição com trajetórias consolidadas na Aleam, enquanto Rodrigo Guedes tenta levar à Assembleia a base construída na Câmara Municipal de Manaus. A disputa interna é acirrada e depende do desempenho da chapa como um todo para o cálculo do quociente partidário.
Marcelo Amil entrou nesse cenário sem estrutura de gabinete. Ainda assim, passou a figurar entre os favoritos da legenda em análises publicadas nas últimas semanas, como as do jornalista Marcelo Generoso e do portal A Gazeta da Tarde, que o apontam entre os nomes do Republicanos com chances de conquistar uma cadeira na Aleam.
"O que chama atenção é que ele construiu essa posição de fora para dentro. É uma candidatura que cresceu pela atuação profissional, pela comunicação e pelo contato direto, não pelo cargo. Isso tem peso num momento em que parte do eleitorado procura renovação sem abrir mão de preparo técnico", diz o sociólogo.
Renovação em jogo
Para Marques, o resultado do Republicanos pode servir de termômetro para a renovação na Aleam. "Se um candidato sem mandato conseguir se eleger numa chapa com dois deputados e um vereador, é um recado claro de que o eleitor quer oxigenar a Assembleia. E, pelo que se vê na reta final, essa possibilidade é concreta", conclui.
A eleição será realizada no domingo, 4 de outubro.